Boletim Clima e Gestão | n° 01 | setembro de 2009  
Tempo e Clima       Comercialização       Insumos     Tecnologia      Resultado econômico

Rio Verde - GO

PERFIL ANALISADO

Área explorada

600 ha

Propriedade
45% arrendada

Armazenamento
Tercerizado

Nivel de tecnologia
Ótimo

  TEMPO E CLIMA
Gráfico 1: Previsão climática para Rio Verde em setembro e outubro.

CHUVA BENEFICIA O INÍCIO DA SAFRA DE VERÃO EM RIO VERDE

Desde o mês de junho a temperatura observada na região do Pacífico Equatorial tem estado um pouco acima do normal. Quando esta situação ocorre, temos a caracterização do fenômeno climático El Nino. A sua principal conseqüência no Brasil é o aumento da chuva sobre a Região Sul e a intensificação da seca no leste da Amazônia e no interior do Nordeste. Os efeitos nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste não são muito bem definidos, porém já se pode observar uma mudança nas características climáticas nos Estados destas Regiões. O mês de agosto foi marcado pela ocorrência de chuva fora de época na região de Rio Verde. A primeira quinzena do mês ainda foi de tempo seco e com temperatura alta, mas na última semana do mês, a chegada de uma frente fria e a mudança no padrão da circulação dos ventos em níveis médio e baixo da atmosfera induziram a formação de áreas de instabilidade no estado de Goiás. Entre os dias 20 e 26 de agosto choveu com regularidade na região do Rio Verde. A chuva ocorrida neste período ficou dentro da média histórica. Em algumas localidades do centro-norte de Goiás a chuva acumulada superou a média histórica. A tendência até o final do ano de 2009 e para o começo de 2010 é de intensificação deste fenômeno El Nino. Portanto não deveremos observar períodos de seca prolongada na localidade em questão. A previsão é de chuva em torno da média em Goiás nos próximos dois meses. As etapas iniciais do plantio da soja e do milho devem ocorrer sem dificuldades com relação as condições climáticas. Vemos nos gráficos abaixo a previsão climática de chuva e os eventos críticos potenciais para os meses de outubro e novembro.

 


    

Gráfico 2: Eventos críticos potenciais para Rio Verde em setembro e outubro.

    

COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO

SAFRA 2008/09

Em 2008, em função da ausência de hedging e a crise do mercado financeiro, o Produtor Padrão® evoluiu pouco na pré-venda da safra 2008/09 (vide quadro abaixo). Apesar do risco assumido, os produtores da região, de maneira geral, garantiram bons resultados ao longo da comercialização
Na finalização das vendas, entre fevereiro e abril/09, os preços no mercado spot já estavam positivos em relação ao segundo semestre de 2008. Nesse ponto, o Produtor Padrão® optou por liquidar a soja rapidamente para comprar parte do adubo à vista (60,0% do volume total).





Apesar de ter perdido o melhor momento de cotação da soja, que ocorreu entre maio e julho/09, o Produtor Padrão garantiu um bom preço médio de venda - R$ 42,16/saca - e fechou uma bela margem operacional sobre custo (38,81%) para a cultura cultura. Infelizmente, parte dessa margem está sendo corroída pela Safra inverno (milho safrinha esorgo) que, apesar da boa produtividade, acumula até o momento perdas de R$ 176,96/ha (contramargem de 23,11% sobre o custo). No consolidado da Safra 2008/09, apesar do revés dos preços do milho, a Safra Verão + Safra Inverno ainda é positiva em 18,90% sobre o custo (markup), mas está sujeita à revisões, em função dos estoques de milho e sorgo ainda não negociados.  


    
SAFRA 2009/10

Em comparação à safra anterior, o Produtor Padrão®  apresenta ligeira antecipação da venda da safra a colher em 2010. Até o momento,  nosso modelo constata  posição de 19,5% vendida até o final de agosto/09, enquanto o volume era 0% no mesmo período do ano passado.  Apesar de pouco volume (%), os bons momentos de fixação em junho, julho e agosto deste ano conferem suporte à defesa de um preço médio final mais positivo, já que a perspectiva do mercado no momento é de que CBOT possa atingir a marca de US$ 8,00/bu no período pré-colheita da safra nova, caso não ocorra nenhum sinistro no Brasil ou na Argentina.




A safra americana 2009 já passou e, pelo que tudo indica, com uma boa produtividade. Esse fundamento, somado à perspectiva de crescimento da área de soja da America do Sul, justifica o peso que estamos observando no mercado de soja e a preocupação do Produtor Padrão® em adiantar alguma venda.   




    
INSUMOS

SAFRA 2008/09



    
SAFRA 2009/10



    


A alteração na rotina de compra do Produtor Padrão
® demonstra dois aspectos fundamentais: 1) O receio de mais uma alta no preço do adubo fez com que o mesmo antecipasse a venda da soja e comprasse parte do adubo à vista e 2) Em um segundo movimento, o Banco do Brasil viabilizou o pré-custeio na região para maior número de produtores e com certa antecipação. Essa ação refletiu na conclusão das compras de fertilizantes em julho/09, mais cedo que em 2008. Em contrapartida, o Produtor Padrão® adiou um pouco mais as suas compras de defensivos, aguardando uma melhor definição de preço e campanhas. A exceção ocorreu com os cooperados da cooperativa local,  que entraram em uma campanha (lançada na Tecnoshow) em abril/09.

TECNOLOGIA

Item analisado Milho Safrinha Transgênico Milho Safrinha Convencional
Preço médio de Venda (R$/saca) 14,80 14,80
Produtividade (sacas/ha) 86,61 81,95
Receita operacional (R$/ha) 1.281,89 1.212,91
Custo operacional (R$/ha) 1.318,53 1.372,81
Lucro líquido operacional (R$/ha) (36,64) (13,18)
Margem de lucro sobre custo (%) (2,78) (11,65)
Breakeven price (R$/saca) 15,22 16,75

O milho transgênico segue evoluindo na região. Nessa safra se destacou um pouco mais sob o ponto de vista da produtividade, em função de maior ataque de lagarta no início do ciclo da convencional, o que favoreceu a tecnologia BT. Essa performance foi diferente em outras regiões. Sob a ótica do custo, foi maior que a convencional, em função do preço da semente. No entanto, a lógica da conveniência técnica pode deparar com a inconveniência comercial, já que muitos compradores do milho não aceitam a mistura com transgênico, o que vem gerando transtornos  para os produtores em várias regiões do país. A percepção do produtor é boa, mas se o mercado da commodity ampliar as barreiras para o escoamento dessa cultura, que já é comercialmente problemática, o esforço de implementação dessa tecnologia no país poderá ser maior do que ocorreu com a soja. A princípio, essa situação ainda não arrefeceu o interesse do produtor em ampliar o uso da tecnologia na região. Apesar da redução de área do milho, o Produtor Padrão®, no pouco que pretende plantar dessa cultura, deve aumentar o percentual de milho transgênico de 25 para 50% da área de cultivo do grão.

RESULTADO ECONÔMICO


O quadro de resultados consolidado da safra em conclusão mostra uma ligeira capitalização, que já foi melhor no início de 2009, mas vem caindo, em função do resultado comercial insatisfatório da venda do sorgo e milho. Apesar de tudo, a ação do governo, através dos leilões de contrato de opção de venda de milho, ajudaram a salvar parte do resultado. Considerando que temos duas safras positivas consecutivas na região, para a maioria dos produtores, o grau de satisfação é bom e  deve sustentar o nível de tecnologia para a próxima Safra Verão e Safra Inverno. 

O serviço Climasecurity é um instrumento de gestão e planejamento para Cooperativas, Assoc. de Produtores, Assoc. Comerciais e Prefeituras, por permitir a projeção de cenários em uma conjuntura de economia instável e alta de volatilidade dos mercados. Se a prosperidade do seu município depende do sucesso dos produtores ele não pode ficar fora do Climasecurity.

Os indicadores contidos neste relatório são projeções derivadas da coleta de dados de campo aplicados a modelos analíticos. Eles refletem as condições econômico-financeiras e comerciais projetadas para um produtor teórico, que não representa a realidade de nenhum produtor rural em particular. Estas análises servem como uma mera referência para consulta, e não devem ser utilizadas para aprovações ou reprovações de crédito de forma coletiva ou particular, definições de preços ou outras decisões táticas do leitor. Diante da dinâmica de fatores climáticos e mercadológicos, a Climatempo e a Agrosecurity, controladoras do serviço Climasecurity, não se responsabilizam pelas decisões tomadas a partir da consulta deste relatório, bem como pelas suas conseqüências para o leitor e terceiros.  

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